Palavras desconexas de um coração confuso

Tento compreender a forma como você se aproxima e se afasta de mim. Tento entender essa tua necessidade de voltar e de minha vida bagunçar. É inevitável o caos a cada retorno inesperado e aguardado. Será interesse ou apenas o medo de que no futuro eu não esteja mais aqui para você?

Tanto tempo ao meu lado, tantos momentos ignorados. É apenas ver que o instante de eu ir se aproxima que você começa a falar como se não houvesse amanhã, é como se naquele momento você tivesse mais a dizer do que antes, como se ali, na despedida, tudo viesse a superfície e transbordasse. E então você fala, fala… fala. Não compreendo esse teu desespero em falar quando vê que estou prestes a partir. Sua mudez vai embora, você me abraça, não me beija, pois um beijo não cabe nesse momento, mas fala. Fala desesperadamente, diz que quer me ver em breve, tenta tornar límpido todo o ruído que existe em nós.

Você me cobiça,  tem também uma segurança em mim que eu desconheço, sabe que eu volto, que me rendo aos teus encantos, ao teu corpo, ao teu beijo e a tudo que eu fiz você representar. Tem segurança nessa tua presa aqui. Fala desfreadamente, como se todo o tempo que tivesse fosse pouco e insuficiente, fala vislumbrando um futuro, esse sobre o qual nada sabemos. Prefere pensar no futuro a viver a certeza do momento presente, priva-se de me ter agora ao temer a impossibilidade de amanhã eu não acordar ao teu lado. Fala como se o futuro iminente fosse tudo e o presente nada.

Muitas vezes me condenei por tudo o que aconteceu, mas a verdade é que tudo acontece porque tem que acontecer, acontece como deve ser e da melhor forma possível. Não sei se isso é verdade mas acreditar nisso me ajuda a viver. Entendo que somos dotados de egoísmos e preconceito e por assim ser, ignoramos aquilo que não é a nós belo. Ignoramos o momento rejeitado, como alguém que ignora as cores e força do expressionismo por estar muito acostumado com perfeição apresentada pela renascença.  Tento me apaixonar pelo que a mim é feio, entende? Amor fati.

Queria eu ser primeira no teu futuro.  Queria mais, queria ser presente no teu presente e que o futuro não fosse um desejo mas uma consequência do que tivéssemos hoje, um desdobramento do que temos, do que somos ou apenas do que acreditamos ser. Convicção nesse caso é mais importante. Queria você comigo e você sabe disso, eu já te disse isso, não? Casaria com você, sabia?  Teríamos filhos, construiríamos uma família e teríamos uma história bonita para contar.

Mas aí lembro de tuas palavras e do quão você deixou tudo claro para nós. No auge da sinceridade disse não querer nada sério, revelou a mim o fato de me considerar uma pessoa bacaninha. Bacaninha? Legalzinha?  Bonitinha? Gostosinha? Por favor, né? Desculpe, não aprendi a ser livre nem deixar ser. Finjo bem eu sei, mas namorar para mim é essencial nesse momento, pois namorar me oferece a falsa segurança de que amanhã eu terei você ao lado. Paradoxalmente, eu que te peço para viver o presente penso no futuro.  

Você está vindo. Inesperadamente vem me visitar, vem me beijar, vem me usar. Só que eu não quero me permitir aquilo que é frívolo, preciso do que é perene, do que fica, cria raízes e em mim permanece. Entende? Não sou mulher de uma noite, construo laços. Não aprendi a sucumbir ao esquecimento nem adiar o momento para que o posterior seja mais prazeroso. Sou impaciente. Nutro por ti e por essa não história um desejo pueril e ingênuo.

Você pensa tanto no futuro e isso nos atrapalha. Olha constantemente para o passado e resgata meus tropeços. Hoje  eu só queria te dizer que o presente é o mais digno a ser pensado, pois só ele pode ser vivido. Dê-me a oportunidade de ser verdadeiramente o que sou. Viva o agora, sem pensar no futuro, mas também sem comprometê-lo pela efemeridade e inconseqüência das ações tomadas. Uma oportunidade eu te pediria, mas meu orgulho me consome.  

Confesso:

Encantei-me por você, enlouqueci em atitudes e em decisões idiotas e assim te perdi. Ou talvez eu nunca tenha possuído você. Será?

Peço:

Volta, esquece tudo. Posso ser melhor, pois eu não sou aquela que por pouco se vende, pois sou sentimento e isso é latente. São palavras soltas, repetidas e desconexas que agora escrevo… é a necessidade de aliviar o coração. De provar a você que mereço uma chance, mesmo consciente de que isso é apenas desejo e que nessa história asssumi o papel  ridículo de um romance forjado e irreal de uma péssima literatura.

Abraços,

Sofia Aimée

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