Conversas

Ele acabara de terminar um relacionamento de três anos. Para a amiga que já viveu um de cinco e tenta viver um de dez, não era muito tempo, mas aqueles três anos ofereciam ao relacionamento o atestado de seriedade, ainda que apenas pelo tempo e não pela intensidade.

Ele estava titubeante, desordenado. Refletia aquele olhar perdido dos recém abandonados. Ela tentava confortá-lo, escutava sobre o fim repentino daquele namoro. Ainda, que para ela, aquele fim já estava anunciado. Um namoro em que para se estar junto é preciso anular quem você é, está inevitavelmente fadado ao fracasso.

O bom desse término era que agora conseguia vê-lo com um intervalo menor ao de um semestre. Ele namorava uma garota um tanto quanto possessiva e ciumenta, a qual odiava aquela amiga bonita e confidente do namorado, impedindo a amizade dos dois. A amiga era uma ameaça identificada, mas não verdadeira, já que a amiga era gay.

Os dois se encontravam na clandestinidade de um café e um cigarro. Conversavam, abriam o coração, tentavam entender, se consolavam mutuamente. Ao final, ela perguntou:

–       Você pensa muito nela?

–       De cinco em cinco segundos, em loop.

–      Entendo… o intervalo aumentará e a lembrança será constante. Infelizmente a Lacuna Inc. existe apenas com Michel Gondry. Teremos que aprender a conviver com os nossos novos e recém chegados fantasmas…

Abraços,

Sofia.

 

 

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