Namora uma mulher que lê

“Namora uma mulher que lê. Namora uma mulher que gaste o dinheiro dela mais em livros do que em roupas. Ok, ela se perde um pouco na arrumação da casa, mas é porque tem livros demais. Namora uma moça que tenha uma lista de livros pra ler, que tenha uma carteirinha da biblioteca desde a primeira infância.

Encontra uma mulher que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro dentro da bolsa. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um gritinho surdo ao encontrar o livro procurado. Vês aquela moça com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros de segunda mão? É a leitora. Para ela, o cheiro das páginas, sobretudo quando ficam amarelas, é perfume!

Ela é a garota que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a xícara, percebes que o calor já se foi, perdidos, os dois, ela e o café, em um mundo feito pelo autor. Senta. Admira-a de relance, porque a maior parte das mulheres que lêem não gostam de ser interrompidas. Oferece-lhe outra xícara de café.

Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Pergunta-lhe se gosta de Clarice. Ou se gostaria de ser Alice.

É fácil namorar uma moça que lê. No seu aniversário, no Natal e em datas especiais, dê-lhe livros. Ofereça-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Ofereça-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Que sabes a diferença entre os livros e a realidade.

Minta. Uma vez, duas, deslavadamente. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo. 

Trate de desiludi-la. Porque uma mulher que lê compreende que o fracasso conduz sempre ao clímax. E que todas as coisas chegam ao fim. Que sempre há a possibilidade de se escrever uma sequência. Que pode-se começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.

Temes que ela descubra tudo o que não és? As mulheres que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem [exceto na saga Crepúsculo]. E quando a vires acordada às duas da manhã, chorando, com um livro contra o peito, envolva-a com um abraço. Prepara-lhe um chá. Podes perdê-la por uma ou duas horas, mas ela volta para ti.

Quando menos perceberes, já está: alugas um balão de ar quente e te declaras. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente, pelo skype. Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar aos seus filhos o Gato de Botas e Aslam – talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das botas.

Namora uma mulher que lê, porque tu mereces. Mereces uma mulher que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. A não ser que prefiras a monotonia, horas requentadas, propostas meia-boca… Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma mulher que lê. 

Ou, melhor ainda, namora uma mulher que escreve.”

inteligence

 Original Date a girl who reads, de Rosemary Urquico [adaptado da versão portuguesa “Namora uma Rapariga que Lê” via blog ouistoouaquilo

 

 

E eu li esse texto e quis tê-lo escrito. E eu chorei, porque eu me vejo nele, porque eu sinto ele e porque eu sou uma trouxa sensível! ❤

Abraços, Sofia Aimée… Namora uma mulher que lê… namora?Lindo, não?

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14 comentários em “Namora uma mulher que lê

  1. Eu também sou tão trouxa que estou pensando em reblogar, é um texto meio utópico, porque ninguém quer namorar uma mulher que lê,rsrs, mas é lindo e profundo e perfeitamente encaixável na minha vida.

    bjos

  2. e eu concordo, q esse texto é vc. q lê, q escreve, q ama café, q é assim, essa coisa apaixonante, q a vida fez assim ser, pelas histórias de infância que me contava e q com olhos d’água ficava, lembra?
    “eu não tinha amigos, e então eu descobri um lugar protegido, a biblioteca, ficava horas lá.. desde o sinal bater até o final do recreio, e então eu comecei a ler, mais assiduamente (pq minha mãe uma vez, lembro como hj, comprou uma coleção de livros infantis desses homens qu evem em casa vender, sabe?), foi no st. maria, comecei pela coleção dos irmãos green, ficavam no alto e eu sempre precisava de ajuda, capa verde, livros grossos… e comecei a fazer os corredores daquela biblioteca,,,mas eu ja lia antes, a eva furnari, a bruxa onilda… amava ela” eu gravei isso.. essa e tantas outras declarações lindas tuas… pq vc é essa mulher… que lê, que escreve…. q ENCANTA!
    lembrei ainda d vc dizendo ” n acredito em quem não lê” e do autor que vc me disse q “se um dia vc chegar a casa de alguém e n tiver livros: saia correndo…” algo assim hehehehehhehe bjossssss mulher q lê.
    LARI

    1. Gravou? Louca! Chorei lendo teu comentário…
      Ainnnn ando sensível.. rs
      Saudades!

      Bjos em vc praga!
      Sofia

  3. O texto fala pra namorar á mulher que lê, porém deixa nítido a atração pela sexualidade.
    O que o faz perder toda a essência.

    1. Vejamos, namorar nitidamente já remota sexualidade. Certo?????? Então a essência, nesse seu pensamento, já estaria excluída no título. Como a Sofia, que entendo nem quis discutir, hhahahahah ( Sofi, conheço-te tanto que sei até o pq discordar e não argumentar), discordo do posicionamento.
      No texto o autor destaca motivos literários e não sexuais, não fala da bunda, dos seios, do sexo. Acho que você não soube pegar a essência… e por isso perdeu ela.

      Sem ofensa, apenas minha opinião.
      Abraços Sofia sua linda!!!!!!!!!!!!!!
      Saudades de tu e lindo voltar aqui ao blog e poder ler vc de novo, e suas seleções e td…

      Marcos

      1. Saudades de tu moço…
        São opiniões apenas e todas são interessantes, rs.
        Respeito, ainda que discorde, né?!

        Abraços.
        Sofia

  4. oi, Sofia. obrigada pela visita e pela referência. há um texto em resposta a este (não encontrei a autoria, sorry), que desmistifica a crença de tua leitora que “ninguém quer namorar mulheres leitoras”. olha só:

    “Não namore uma garota que tenha tantos livros quanto deveria ter roupas, pois eles serão material de orgulho vão e vaidade desmedida da mesma forma. Evite as que dedicam sua paixão ao cheiro do papel ou ao som do folheio da página, pois elas evitam a realidade dura do mundo que lhes deu tudo, mas que ainda não é o bastante para ela. As emoções de que ela aprendeu a se nutrir nos livros serão tão viciantes quanto as que ela buscaria nos homens mais belos durante seus vinte anos, ou os bem sucedidos, ao deixar os vinte.
    Como nenhuma representante do “belo sexo” admira o que lhe está igual ou abaixo, esteja preparado para demonstrar conhecimento literário seguro, absoluto e irretocável… ou nem mesmo inicie a conversa.
    Se você estiver entre estes prodígios, se prepare para selecionar livros que lhe dêem destaque, ou que tenham o apelo emotivo que lhes alimente o ego. Abandonar este cuidado destinará todos os seus presentes ao sebo mais próximo.
    Os universos onde ela está imersa lhe causarão aversão a realidade, recorda-te? Então, minta, dê cores fortes, exagere, descreva em detalhes. Se você não tornar a vida dela, e o que ela vivencia com você mais poderosas que a ficção que ela lê, e se você não for mais genial que os autores que ela lê na não-ficção, tudo se esgotará logo. Realidade cinza e comum alguma atrairá tal mulher.
    Evolua sempre, cresça sempre. Sempre haverá alguém mais capaz que você, e você não deseja que ela descubra este outro alguém, não é?
    Não namore a mulher que lê, porque o ideal dela de homem será ainda mais irreal que os absurdos do mundo moderno. Não namore a mulher que lê, pois ela jamais respeitará quem se contenta com aplicar o conhecimento na prática, sem ostentá-lo como o vulgo ostenta seu carro importado. Não namore a mulher que lê, porque ela ainda sim, precisará de emoções que alguém que tente acompanhar sua intelectualidade jamais lhe dará – um dia, o fastio de sua realidade ficcional a fará olhar para o belo homem vazio, e mais do que só olhar.
    O reflexo dos óculos dela ofuscará você a esta realidade. Você só perceberá quando sua intelectualidade deixou de ser sexy quando for tarde mais.
    Se ela além de ler, também escrever… espere algo mais que o impossível que já descrevi para aquele que sonhar o sonho impossível de tê-la.”

    (acredito que possas gostar disso, também: http://ouisto.blogspot.com.br/2011/09/ler-e-sexy.html
    http://ouisto.blogspot.com.br/2012/03/ler-e-sexy-2.html
    http://ouisto.blogspot.com.br/2012/12/ler-e-sexy-3.html
    http://ouisto.blogspot.com.br/2013/01/ler-e-sexy-4-marilyn-monroe.html
    http://ouisto.blogspot.com.br/2013/02/ler-e-sexy-5.html)

    carinhosamente, Luciene.

    1. nossa! muito obrigada… depois quero ler com calma! muito bom toda forma de retorno. Grande Abraço, Sofia

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