Carta Resposta

Para você, que ontem me ligou, querendo APENAS, saber como estou.

Está complicado aqui. Dói e evito chorar com medo de não mais parar. Você, certamente, não terá a sensibilidade necessária para perceber que eu não estou bem (ainda que eu tenha gritado isso para quem quisesse escutar, olvidando o fato de que escutar é uma condição e ouvir uma escolha).

Ninguém pode retirar de mim essa angústia que carrego no peito, mas achei que pudesse saborear alguns momentos doces ao teu lado. Pensei que era uma questão de paisagem e de pessoas. Mas não. É algo interno e eterno mesmo. Para muitos, vivo apenas uma crise burguesa, para mim, a mais terrível dos últimos tempos. Crise acompanhada de despedida é sempre mais terrível. (Não ignoro as demais crises que tive e nem potencializo essa presente, mas é que aquilo que está na superfície costuma ser mais visível).

Como é repugnante essa situação de ter os seus sentimentos reduzidos a nada. Pensei em você como um porto seguro, como uma possibilidade de equilíbrio e de paz. Bobagem esse meu pensar. Estou fatigada de tudo, até de você, acredita? Procurei-te  para me acalentar e acabei me entristecendo. Tive assim esse meu estágio de tristeza e desespero evidenciado. Estou triste, mas isso já é tão normal que para você se tornou banal, dando a ti o direito (falso) de reduzir tudo a um “drama adolescente”.

Então, usufruo da pouca memória da qual disponho, e, relembro de ti no passado. Passado que eu sempre custo a abandonar. Reconstruo situações e momentos na busca de algum entendimento. Compreendo por fim o significado de “igual”. Você é igual a todos eles, mas acreditei que fosse diferente.

Sinto-me uma idiota ao relembrar quantas vezes eu te procurei em pedaços e suplicando por um abraço,  um ouvido e um colo para deitar, mas dei de cara com a tua constante ausência. Eu não queria muita coisa, não iria tomar muito do teu tempo. Mas você, como sempre, disse que não tinha tempo, deixando-me para depois. Entendo que existam “n” coisas mais importantes e interessantes, mas porra, em nome de todos esses anos eu achei que eu tivesse algum valor, mas a verdade é que eu só tive preço e você pressa. Quantas foram as vezes em que tu disse que “já me ligava” e eu, tola,  esperei .Você não ligou. Quantas justificou-me dizendo que o tempo aí era diferente e eu compreensível tentei entender? E, quantas outras vezes, você se irritou quando eu reclamei atenção? Como se a errada fosse eu por não te compreender, talvez fosse. Será? 

Já não tenho nenhuma esperança e carrego no peito um mar de ilusões. Resisti o quanto pude, engoli seco todas as vezes que você me ignorou, que me excluiu e que me colocou em último na tua lista de prioridades. Disse a mim que não era por não me amar que você fazia o que me feria, tentando me agarrar em esperanças apenas por mim construídas. Queria conseguir depurar toda essa situação, desatar esse nó na garganta e destrancar a alma por tanto tempo aprisionada.

Sou meio errada e meio neurótica. Sou talvez muito dramática, um tanto grossa e reclamo em demasia. Mas eu sou assim, goste quem goste de  mim.  Deve haver ainda alguma qualidade que reduza todos esses meus inúmeros e incômodos defeitos, basta um pouco de sensibilidade e paciência para descobrir.

Talvez, na correria cotidiana, você não tenha notado que quando tenho meus sentimentos ignorados ou diminuídos encho-me de espinhos e sou capaz de cortar relacionamentos de anos com frieza invejável aos corações partidos.

Cansei de pessoas me ignorando, tirando o sorriso do meu rosto, me desvitalizando em pequenas situações. Porque eu sou assim, tenho sangue de barata, aguento muita coisa, ignoro outras, mas quando eu me canso, não tem volta. Nesse caminho todo eu aprendi que mesmo ferida eu sei ferir.  

Minhas palavras estão confusas,  eu sei. Mas é que está tudo em completa desordem. Então, desculpe a falta de coesão e talvez de coerência  nesta carta. Sabe,  se as pessoas soubessem como eu verdadeiramente estou, certamente não sintetizariam tudo isso em “drama”, tampouco diriam que não faço nada para mudar ou que só fico a me lamentar. Estou em estado Elena, mas sem a coragem dela.  Escrevo essas palavras desejando que sejam as últimas, na falsa esperança de conquistar autonomia e egoísmo para colocar um fim em tudo. Não estou ameaçando, é apenas um relato frio de como estou. Estou viva, se a ti interessar, escrevendo na expectativa de você voltar, mas me preparando para te dizer: “- Vai a Merda e some daqui!” Porque eu sei que “quando você voltar já vai me reencontrar refeita”. Você só me quer inteira e nunca em pedaços e é assim que estou, em pedaços tão pequenos que nem sei como juntar.

 

Abraços,

Sofia Aimée

carta

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4 comentários em “Carta Resposta

  1. vc sem crise não teria a menor graça. é no caos q vc se revela… um café para aquecer e aliviar o peito eu t ofereço… chorei aqui ao ler vc. pq eu sei q vc me ligou, me pediu e tudo mais um encontro essa semana e eu neguei isso a ti.. e eu sei q tá complicado…mas quero me redimir, okkkkkkkkk????????
    e eu seii q o texto n é para mim, mas me inclui.

    abraço de urso baby!

  2. linda, texto forte cheio de sentimento como tu imagino eu.. entregaria meu tempo juntamente de alguns expresos para apenas ouvir, dos meus olhos de anonimo seria otimo.
    []s

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