Uma breve descrição

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Ilustração: Sofia Aimée por Rastro

Ela saboreava da sua própria ignorância de forma olímpica. Era assim uma completa ignorante – não em tudo, verdade seja dita. Não sabia de muitas coisas, faltava-lhe conhecimento acerca daquilo que não se permitia. Ora por preconceito, ora por preguiça. Na vida lhe faltava um bocado de sabedoria, guiava-se muito pelo seu coração e esse era tão conflitante que a deixava sempre perdida. Isso não subtraia dela o seu poder cativante e hipnotizante ou tampouco retirava dela sua aura e beleza. Muitos eram os que em silêncio ou em festa velavam o desejo de a conquistarem. Ela era dessas mulheres estilo Yoko Ono, capaz de ser o epílogo de uma das maiores bandas de todos os tempos. Carregava no peito um certo desleixo e vazio, comum a todos aqueles que pensam, leem e sentem em demasia, sendo por consequência uma pessoa um tanto quanto sozinha, mas a qual sabia desfrutar dos momentos de solidão. Preferia estar só a rodeada de babacas. Deslumbrada com tudo o que lia, era uma tola sonhadora. Mantinha-se ascética e determinada, debruçada em seus livros e imersa em suas músicas, repensava e planejava. O tempo para ela passara muito rápido, essa passagem fora observada de forma calada e desesperada, ansiosa por novos e melhores acontecimentos. Péssima sua mania de entregar tudo ao tempo, olvidando o fato de que nada permanece imune a ele. Após temporais de decepções e desgraças, teve seu olhar ampliado e modificado, seu coração endurecido e suas esperanças aniquiladas. Naquela tarde decidiu despedir-se daquela vida. Fechar o livro e dizer adeus a todo aquele passado de certezas desconexas e de tristezas intransponíveis. Esquecer-se de todos aqueles baús em que guardava inúmeros propósitos e vontades, na maioria utópicos. Ateou fogo em toda a mágoa que supurava de seu coração.  Nascia uma nova mulher, a qual munida de seus anseios seguia para uma nova vida, sem medo e sem autocomiseração. Adquiria um olhar apenas para aquilo que era tangível e necessário. Não tinha um objetivo específico, desejava apenas viver sem a exigência social de ser feliz e sem a necessidade de encontrar a autorrealização. Estava decidida a abandonar seu estilo loquaz de ser e assim resguardar suas palavras apenas para aqueles que fossem verdadeiramente merecedores delas, e assim, presentear com sua mudez aqueles que por muito tempo ignoravam o valor do que ela dizia/escrevia. Não teria mais a menor condescendência para com esses.  Estava a se entregar, sem reservas, desejosa apenas de uma vida frugal e satisfatória.  Se fosse para cair nesse abismo que denominam de vida, ela agora se jogaria, sem se preocupar ou se segurar, cairia nele de forma delicada e consciente, permitindo-se mais uma vez. Admirável essa tal pessoa, não?

Abraços,

Sofia Aimée

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7 comentários em “Uma breve descrição

  1. Apaixonante, amável, extraordinária, linda, magnífica, sensível, bela, linda, querida, amável, inteligente, td…td…td….essa sua pessoa! tamo pquenina e q 2013 venha recheado de coisas lindas para ti, q as previsoes acertem e q o seu passado seja deixado em 2012, q coisas maravilhosas acontecam e um lindo amor te apareça. Pq vc merece mais q isso… grande beijo, abraço apertado, beijo na testa Lari.

  2. “Após temporais de decepções e desgraças, teve seu olhar ampliado e modificado, seu coração endurecido e suas esperanças aniquilada” – adorei. Lindas as suas palavras… amo td q escreve e ainda mais qd vc se revela!

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