ELENA

Para ouvir enquanto me lê.

Elena_filme-VAZIO

Fui uma dessas pessoas que saiu do cinema com os olhos cheios d’água. Fui uma dessas pessoas que só de lembrar do filme tinha o canto dos olhos por uma lágrima ocupado. Emocionei-me e se pudesse indicaria Elena para todos, e o fiz de certa forma, ignorando o fato de que a maioria não entenderia Elena. Não digo isso como uma critica, embora já o faça. É simples, ou algo toca você ou não toca. Fui conquistada por esse jogo de imagens, de sons e de tudo que compõe esse filme de caráter desestabilizador e aflitivo. E se você não conseguiu compreender Elena, certamente não compreende a mim. Eu que sou essa personagem meio Bethania, meio Chico Buarque, meio Fernanda Young também (ela me entende. Mesmo sem saber quem sou e o quanto Vergonha dos Pés e Efeito Urano para mim significaram). Sou ainda aquela Sofia do Alan Pauls, meio maluca, meio tomada de um amor louco e de um passado sempre latente,  a verdade é que vivo esse amor Rímini. Poderia ficar aqui me caracterizando por horas, por meio de escritores, de compositores e tantos artistas, mas sentei para escrever sobre Elena. Elena é sentir e talvez você não compreenda. Esse vazio, essa melancolia e esse desespero de viver. Elena é a emoção, é o medo, é esse conjunto de traumas que escondemos e carregamos em nós. É o grito de se viver e não saber o por quê, querendo se encontrar, entende? Você não entendeu o filme e certamente desconhece esse desencanto pela vida que eu compartilho com Elena. Também, não deve nem ter passado próximo do anseio e da busca de encontrar uma razão onde a emoção domina. Elena me trouxe a nostalgia de tempos que por muito eu quis esquecer, mas foi com poesia que me fez reviver. Aquela dor, aquele aperto no peito e amor velado. Elena me encantou e certamente não encante você. Talvez você é que seja uma pessoa de sorte, por ter passado tão distante de Elena. Elena é triste, mas é tão bonito… Elena me lembra que eu sou presa a tantos temores, que vivo essa melancolia disfarçada e perene, joga na minha cara a insatisfação de viver. Elena é desses filmes que te perfuram a alma, tocando o coração, revirando os sentimentos e dizendo não a razão. Talvez você não entenda, mas eu tenho uma Elena em mim….

Abraços, 

Sofia Aimée

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5 comentários em “ELENA

  1. eu fui uma dessas pessoas “frias” e após ver o filme liguei e disse para vc: “eu n entendo como alguém se mata”… vc só respondeu com o silêncio e com as lágrimas molhando o rosto. Eu, hj, entendo essa Elena q vive em ti e encanto-me por ela e por vc… por sua melancolia e sua escrita.

  2. Venho por meio deste singelo comentário agradecer por ter recomendado “Elena” de Petra Costa. Assisti o documentário a primeira vez, há duas semanas, sai anestesiada e tumultuada ao mesmo tempo após a sessão, parecia que tinha voltado para a alma de alguém que não conhecia.

    Na segunda vez assisti porque tinha a sensação de que retiraria Elena da tela para carrega-lá dentro de mim inconscientemente e isso fazia com que sentisse a necessidade de devolver para que outros pudessem vê-lá como eu a vi. Mais percebi pelo espírito do que valendo-se pela inteligência, creio que ali dentro das palpitações havia um tudo constituído de imersões, emoção-tátil e arte.

    A linguagem utilizada é bem temperada e tocantemente formidável, concordo com você. As trilhas compostas retalham muitos sentimentos, agrupam e os transformam em algo consolidado e intangível, costumamos chama-ló de “coração” ou qualquer outra forma que se possa nomeá-ló dentro de uma correlação, em discretas e sensíveis melodias. Esqueci de minhas teorias pragmáticas e insólitas. Chorei com Elena. Não, não saberia dançar com aquela corda tão bem quanto ela. Não sei se o tal de misericordioso “véu do esquecimento” caíra sobre mim, talvez sim, espero às vezes que não. O filme mexe com a gente e nos revira dos fios finos do cabelo até as pontas dos dedos dos pés. Se apresenta de forma habitual e aos poucos torna-se imprescindível. Quando notei “Elena” já tinha encontrado um espaço e marcado-se na minha lista de documentários preferidos.

    Muito grata, Sofia.

    Fique em paz,
    Amanda.

    1. Fico grata com todas as tuas palavras e sensações!!! Feliz em ver que gostou… Pois na maioria as pessoas não gostaram do filme… mas consciente de que ele só toca por meio de alguma inferencia. 😉 Abraços, e mais uma vez obrigada pelo retorno… Sofia

      1. São muitas palavras, não? Risos. Bem, certamente. Entretanto, um documentário tão belo como “Elena”, imagino que seja quase impossível não ser tocado (a) de alguma forma devido a este mexer com porções extremamente sensitivas dos seres humanos diretamente ou indiretamente: sejam as pequenas interferências ocultados ou despercebidas. Grata novamente pela indicação, Sofia.

        Fique em paz,
        Amanda.

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