O passado

Mas voltar a recordar era a chave do voltar verdadeiro, a pedra fundamental, tudo – do mesmo modo que se desligar da memória, perder ou protelar lembranças, deixar escoar ou esquecer eram a chave, o princípio, o modelo de toda perda e desaparecimento. E não era assim, no fundo, que o excesso de amor costumava tornar-se visível pela primeira vez? Recortando-se contra um fundo de amnésia como um excesso de memória? O aniversário esquecido, o detalhe que passa despercebido, o contexto que cercou um fato e que agora resiste a retornar: não era assim, com efeito, que começavam as tragédias ?

(…)

A pergunta é: o que importa mais, o homem que está sozinho e que espera, ou o que o faz esperar, o que o fará esperar mais do que espera, o que talvez o deixe esperando para sempre ?

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