Mês: maio 2013

ELENA

Para ouvir enquanto me lê.

Elena_filme-VAZIO

Fui uma dessas pessoas que saiu do cinema com os olhos cheios d’água. Fui uma dessas pessoas que só de lembrar do filme tinha o canto dos olhos por uma lágrima ocupado. Emocionei-me e se pudesse indicaria Elena para todos, e o fiz de certa forma, ignorando o fato de que a maioria não entenderia Elena. Não digo isso como uma critica, embora já o faça. É simples, ou algo toca você ou não toca. Fui conquistada por esse jogo de imagens, de sons e de tudo que compõe esse filme de caráter desestabilizador e aflitivo. E se você não conseguiu compreender Elena, certamente não compreende a mim. Eu que sou essa personagem meio Bethania, meio Chico Buarque, meio Fernanda Young também (ela me entende. Mesmo sem saber quem sou e o quanto Vergonha dos Pés e Efeito Urano para mim significaram). Sou ainda aquela Sofia do Alan Pauls, meio maluca, meio tomada de um amor louco e de um passado sempre latente,  a verdade é que vivo esse amor Rímini. Poderia ficar aqui me caracterizando por horas, por meio de escritores, de compositores e tantos artistas, mas sentei para escrever sobre Elena. Elena é sentir e talvez você não compreenda. Esse vazio, essa melancolia e esse desespero de viver. Elena é a emoção, é o medo, é esse conjunto de traumas que escondemos e carregamos em nós. É o grito de se viver e não saber o por quê, querendo se encontrar, entende? Você não entendeu o filme e certamente desconhece esse desencanto pela vida que eu compartilho com Elena. Também, não deve nem ter passado próximo do anseio e da busca de encontrar uma razão onde a emoção domina. Elena me trouxe a nostalgia de tempos que por muito eu quis esquecer, mas foi com poesia que me fez reviver. Aquela dor, aquele aperto no peito e amor velado. Elena me encantou e certamente não encante você. Talvez você é que seja uma pessoa de sorte, por ter passado tão distante de Elena. Elena é triste, mas é tão bonito… Elena me lembra que eu sou presa a tantos temores, que vivo essa melancolia disfarçada e perene, joga na minha cara a insatisfação de viver. Elena é desses filmes que te perfuram a alma, tocando o coração, revirando os sentimentos e dizendo não a razão. Talvez você não entenda, mas eu tenho uma Elena em mim….

Abraços, 

Sofia Aimée

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