Manhã

Marcos está assustado. Desesperado. Nos últimos dias tem dormido cada vez mais cedo e continua a acordar, obrigatoriamente, no horário de sempre. Ainda que não cumpra com todas as suas obrigações, pelo fato de se deitar antes do sono, não deixou de ir ao trabalho.  Socialmente, aparentemente, tudo tem que estar bem. A cada nascer do sol e tocar do despertador ele sofre. Levantar da cama tem se tornado uma tarefa árdua, uma luta matinal de difícil conquista. Deseja sempre mais 5 min. Apagou as luzes às 19h, escolheu morrer mais cedo ontem. São 6h e ele ressuscita.  Não deveria estar cansado ou com sono, mas está. Passa os olhos pelo quarto, a luz do banheiro dormiu acesa. Pensa em retornar a psiquiatra, aquelas bolinhas brancas o deixavam mais ativo, por mais que não fossem solução. Deixa para pensar nisso depois. Seu cachorro percebe que ele acordou e então vem lhe dar bom dia. Queria ser um cachorro, pensa. Não um vira-latas, mas um cachorrinho de madame. Fecha os olhos e decide não ir ao trabalho, não tem mais medo. E não ter medo é perigoso e incoerente.  

Abraços,

Sofia Aimée

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