Palavras

Como escrever? Como começar a falar por meio das palavras escritas, passadas, presentes e sempre futuras? A tela em branco me fita, suplica para que comece a preenchê-la com palavras, para que possa transmitir o meu sentir. Não sei como se escreve e nem o que devo fazer… preciso escrever.

(…)

Escrevi e nada disse. Fui abandonada pelas palavras e agora elas me faltam. Paradoxal isto, as palavras que sempre me vem em excesso e quase sempre desprovidas de significados hoje me ignoram. São infinitas as que eu poderia escolher, combinar e dispor em linhas, esmagando as entrelinhas e explicando assim tudo o que se passa aqui dentro. Não devo. Seria pura repetição, pois você já sabe e finge não lembrar.

 A verdade é que voláteis e apressados são os meus sentimentos, sublimam e esquecem-se do estado de fusão e de vapor. Aquilo que sinto vem e vai embora, não avisa nem demora. Uma mutação infinita, não podendo ser descrita, deixando cicatrizes e não se permitindo mensurar.

 (…)

O que deseja saber de mim? Meu peito aperta e meus olhos flamejam ao lembrar de ti. Não consigo controlar.  Se a mim você permitisse um pedido eu diria: Não se esqueça de quem fui, lembre-se do brilho dos meus olhos, do meu sorriso tímido e de minhas palavras tortas. Lembre-se de que ao teu lado eu fui feliz, ainda que com olhos tristes e confusa, fui feliz. Mas, se alguém te perguntar por mim, finja não me conhecer, pois aquela que fui foi embora e hoje deixou ser. Em alguns momentos ela me faz falta, em outros nem me lembro.

E é com Nabokov que te escrevo, tentando te fazer me compreender: “Eu sei mais do que posso expressar em palavras, e o pouco que eu possa expressar não teria sido expressa (…)”.

Abraços e beijos em você,

Sofia Aimée

 —-

(Meu excesso de palavras é para ti irritante, eu sei. Por meio de doses homeopáticas tenho aprendido a escutar, sabia?. E em meio ao meu silêncio, necessário nesse processo, você me diz: “Você está estranha”, questiona-me: “Aconteceu algo?” – o que responder? Sou apenas uma garotinha tentando evitar os conflitos da incomunicabilidade).

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