Ilusão

Passei o dia lembrando, relembrando, questionando, remexendo baús já esquecidos e cutucando antigas feridas e desamores.  Em decorrência disso estou agora em pedaços, pequenos e cortantes. Idealizei mais uma vez. Sou assim: sonhadora. Esperei além daquilo que você tinha a me oferecer. Logo de você, de quem eu nada sei, mas muito desejei. E foi na espera daquilo que ansiava e não conseguia que o vazio foi preenchendo todos os espaços que existiam aqui dentro. Custei a acreditar no que acontecia e então fui ignorando com pequenas interpretações ilusórias todos os sinais que eu tinha para ir embora.Tentei dizer a mim que isso era algo efêmero, de que era até bom que assim fosse, que eu preferia as coisas livres – mentira. Não suporto te ter como turista em minha vida, muito menos imaginar que outros também a tenham. Não consigo. Envolvo-me muito rapidamente e com você não foi diferente. Não te procurarei mais. Cansei das migalhas dos teus dias, dos restos de tuas horas. Lembro agora dos teus olhos. Talvez você nem saiba, mas por eles me encantei. Seus olhos que ao me fitarem me tornavam vulnerável. Olhos que quando  me olham me paralisam e fascinam. Ilusão. Perco-me mais uma vez em olhos que desconheço, olhos que há muito tempo eu não vejo, há muito tempo não me observam e encaram. Olhos que de tão indiferentes me ferem, queimam e enquanto isso eu mergulho ainda mais nesse sentimento sem nome que idealizei, afogando-me nas ilusões que criei. Você se revelou doce, mas é amarga, pois assim é o gosto da indiferença. Estou indo embora, em busca da saída que me resta. Poderia ganhar a consciência de que te perdi aos poucos – como está sendo. Mas interrompo esse processo agora, essas doses homeopáticas de descaso estão me matando. E vou sumir.  Talvez a gente se encontre por ai e você me pergunte o que aconteceu. Se isso acontecer eu estufarei o peito e te direi:  – Valorizei aquilo que você desprezou: eu. Meu amor próprio ganhando vez, ensinando me a ser forte o suficiente para não permitir que as emoções se revelem. Então quem me ver passar dirá: está tudo bem! A verdade é que essa minha fase perene de carência excessiva chega a ser desprezível e eu só queria os seus braços para me acolherem.

Abraços,

Sofia Aimée

 

Abraços,

Sofia Aimée

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3 comentários em “Ilusão

  1. Sentimentos são armas brancas, afiadas ao extremo, que ao menor sinal de manuseio incorreto ferem profundamente, deixando cicatrizes feias e eternas…

  2. Desculpe, mas precisei eliminar parte do conteúdo.
    Entre no skype que aqui não é lugar de conversar, rs.

    Beijos. S.A

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