Feliz Aniversário

E o tempo passou. Impiedosamente como deveria ser. Veio gelado como um sorvete de limão em pleno julho. E aquele velho papo de adulto de que “o tempo passa rápido” veio até mim como uma verdade a qual eu não queria experimentar. Achava mais gostoso quando pequenina ouvia “Nossa! Como você cresceu! Te peguei no colo…” e pensava: “ Quanto tempo… nem deve ser verdade, eu não conheço você…”, com a sensação de anos luz de distância. Afinal, demoravam anos para chegar o meu aniversário, anos para as férias e a visita à casa da vó, anos para receber meu presente de natal…anos para tudo. O tempo passava com uma calmaria da qual tenho inveja e nostalgia.

Anos se passaram desde a primeira vez que falei com você. Eu ainda estava na oitava série. Acredita?! Uma aluna do Bom Jesus, que adorava (sempre né)  estudar, vivia deprimida e descontente com a vida, uma menina perdida, seguindo o seu caminho ao som de Cássia Eller, sem saber que direção escolher, cheia de coisas na cabeça… Eram apenas “dúvidas de uma garotinha” chamada Mariana.

Naquela época internet era artigo de luxo, apenas após a meia noite, nos finais de semana e após uma luta com o irmão, em que apenas vencendo por nocaute se conseguia alguns minutos no MSN/ICQ. Minutos nos quais eu falava, soltava inúmeras lamúrias, algumas loucuras e você ali, sempre firme… Desesperando-se e tentando, de longe, ajudar. Não sei nem como agradecer o fato de um dia eu ter te encontrado, aliás, foi você quem me encontrou. Descobriu-me entre palavras e se encantou.

Bom, dentre todas as surpresas que já encontrei nesse mundo virtual, tenho a certeza de que você foi a mais especial. Nosso início, como todos, não foi fácil… o meio também não e o fim? Esse estamos lutando para não existir. Haja persistência. (Abre um parêntese, preciso falar que esses dias ele veio me visitar, contou-me o quanto estava cansado de  chegar, bater a porta e eu não lhe deixar se instalar permanentemente em minha vida. Foi então que lhe disse para tirar umas férias, entrar em outra história, dar um tempo para a nossa evoluir… Tentei convencê-lo daquilo que nós já sabemos: essa história não tem fim. Ele foi embora, mas prometendo ligar… justificou dizendo que eu mudo muito e poderia no futuro querer sua presença. Desaforado, não? Mas voltando…)

Você, com seu jeitinho tímido e calado, encontrou-me triste e confusa. Foi uma relação muito peculiar a nossa. Muitos foram os que nos diziam que isso não daria certo, continuamos tentando e ao final provamos a eles que estavam errados. Se assim não fosse, você já teria saído da minha vida, amizades verdadeiras permanecem. Quero dizer-te o quanto você era/é meu porto seguro. Era aquilo de que eu precisava, porém sem essa consciência te mandei embora.

(…)

Já se passaram milhares de horas, centenas de dias e quase uma década de anos desde o dia em que nos cruzamos nessa rede maluca da internet. Eu não era negra e você muito mais alta do que eu imaginava, não é? Foi um amor verdadeiro, não por aparência mas pela essência, alma e coração. Hoje é o seu aniversário e eu gostaria, como nunca fiz, de te dar um presente. Algo especial e lindo que você pudesse guardar contigo, algo para você chamar de teu e que também tivesse um pouco de mim. Hoje, ou algum dia, eu gostaria de te presentear com algo lindo, oferecer te as coisas mais lindas que você pudesse provar, te contemplar com a calma que seu coração não se cessa de procurar, com a alegria e o carinho que te é de direito, com um pouco de amor para te aquecer o peito, com a direção para você não perder o caminho e tudo mais que desejasse. Queria te dar tudo e mais um pouco, o mundo se pudesse, mas, mais uma vez: eu não posso!

Então, sendo eu uma garotinha muito astuta, ofereço-te aquilo que já é teu, mas ainda está aqui: um lugar eterno em meu coração. E, como não poderia deixar de ser, o meu muito obrigada! Então, para terminar logo essa carta, OBRIGADA POR TUDO! Pelos sorrisos e lágrimas, pelas broncas e afagos, pelas mensagens e ligações, pelas contas mirabolantes de telefone e horas em frente ao computador, por me fazer acreditar, por não me deixar desistir, por me alertar sobre minhas ideias absurdas, por continuar ao meu lado mesmo eu sendo dramática e cabeça dura, por aguentar minha chatice, por suportar minhas falas intermináveis, por tolerar minha dificuldade em te ouvir, por relevar (na verdade por não aceitar) minha memória de peixe, por perdoar meus inúmeros erros, por ser meu chão quando eu precisei, me oferecer asas para voar e sonhar, … Ih! Já comecei, se preciso fosse  ficaria aqui dias te agradecendo, por isso e por aquilo. Vou parando por aqui, antes que isso fique mais chato de se ler ao que já deve estar.

Era isso, obrigada por ter estado ao meu lado todos esses anos, apesar da distância, apesar do tempo, apesar dos pesares. Apesar de parecer que eu não me importo ou não te valorizo, saiba que você é uma das poucas pessoas que marcou eternamente a minha vida, muitos foram os nomes escritos em minha história, a maioria a lápis, alguns já foram apagados e outros riscados, alguns guardei apenas na minha maravilhosa memória, mas o teu, ah! O teu nome está escrito com água forte e buril nesta chapa de metal, dura e resistente, que chamo de coração. Não importa a distância, não importa o tempo, nada apagará o que sinto por você.

Parabéns! Muitas conquistas e muito amor…

Abraços,

Sofia Aimée

Anúncios

6 comentários em “Feliz Aniversário

  1. uma das cartas mais lindas que já li de aniversário. não sei se real ou ficção, mas feliz daquele a quem essa maravilha se destinou. Lindo o blog!

  2. ficção?

    “…dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas, e lentamente falas, e lentamente calo, e lentamente aceito, e lentamente quebro, e lentamente falho, e lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba nem assim nem agora nem aqui… “

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s