Errei

Erros e mais erros. O tempo está passando… Não tem volta! Um emaranhado de erros que vou resgatando, decifrando por meio de signos e construindo uma teia perfeita, na qual me prendo, não conseguindo desvencilhar-me.

O peito aperta, sensação e consciência do tempo que se perdeu, do tempo que deixei passar. Ações que penas imaginei e não realizei. Reconstituo os meus últimos anos e assim vou recuperando sinais e indícios que foram por mim antes ignorados, e  que, agora são pelos erros evidenciados. Avisos que me diziam: ‘- Pare!’ Outros que evidenciavam a necessidade de continuar nos momentos em que parei ou retrocedi. Tudo fora por mim ignorado e agora todas essas coisas se postam diante de mim, como pistas de um detetive que dispostas sobre a mesa lhe permitem solucionar o mistério, ou simplesmente comprovar as hipóteses iniciais.

O que me resta a fazer? Penso naquele jargão de que “não se pode voltar e fazer um novo início, mas sempre há tempo de se fazer um novo final.” O final já chegou. Não há o que fazer, apenas lamentar o que passou. Não deveria me lamentar, tudo é aprendizado.Repito isso para mim como se recitasse um mantra.

…Não deveria me lamentar, tudo é aprendizado

…Não deveria me lamentar, tudo é aprendizado

…Não deveria me lamentar, tudo é aprendizado

Nesse mesmo momento renovo a garrafa de café. Café que me embriaga e o qual tomo sem pausa desde as quatro da tarde. Talvez seja esse líquido confortável o responsável pela minha ausência de sono e por estes devaneios as duas da manhã.

Derrubo um pouco de café sobre a folha de papel. Em outro momento isso me irritaria, mas agora admiro o desenho do líquido sendo absorvido pela folha amarelada do meu moleskine.  Então, continuo,  alternando um gole de café, uma bolacha Maria e uma folha escrita.

Lembranças… recordações…

Odeio a objetividade obstinada com que relembro de tudo, esquecendo-me de que o passado já está terminado. Odeio essa lucidez e em meio a essas palavras tento me perder, procurando a loucura,  que me abandona, fazendo com que me lembre de forma insuportável de tudo detalhadamente e regada a adjetivos e a notas de rodapé.

Tenho um choro contido, choro que não permito se revelar. Seria uma fraqueza.  Sabe? Então, neste momento, pareço apenas uma imagem projetada em uma enorme tela de cinema vazio. Ninguém para me assistir, apenas eu, refletida, com um choro contido em um filme mudo, sem direito a legendas ou textos auxiliares que permitam que aquele momento seja decifrado por alguém.

(…)

Digo a mim em silêncio: “não importa!”, sigo repetindo esse axioma particular, consciente de que toda vez que digo a mim essa simples frase, na verdade quero dizer “Importa! Fere e me perturba!”

Poderia eu jogar fora todos esses anos e iniciar do zero? Não aguento mais o peso do passado. Quero um futuro sem passado, apenas de presentes, por maior que possa ser esse paradoxo. Sei porém que necessito de um prólogo, alguma coisa que me permita continuar sem repetir os erros que me colocaram aqui. Esquecer-me de tudo seria um erro. Afinal, estaria fadada a repetir tudo exatamente igual, assim, necessito de um contexto, algo que me oriente, ou alguém não?

Fito assim o meu passado com tristeza e decepção. É este o momento em que deixo de vivenciar aquela gostosa sensação de nostalgia, aquele momento sublime das lembranças, que apenas os que conseguem o equilíbrio  da razão e da emoção conseguem vivenciar.  Essa sinestesia vivida por alguns é impossível para mim, que  sempre vivi nos extremos da razão e da emoção. Apenas os que acertaram podem sentir, e eu? Eu errei.  Queria poder esquecer de tudo, não posso. Assim, entrego me ao sono, ainda que com o auxilio de pequenas gotas do mágico vidro do esquecimento. Vivenciando então o espetáculo do esquecimento, sem direito a feedback, pois ao levantar-me não me recordarei nem ao menos de qualquer sonho. Apenas saberei que morri temporariamente, com aquele vidrinho tarja preta, ressuscitando ao amanhecer ou ao tocar do despertador.

Não sei que ação tomar,  assim decido esperar. Esperar o tempo passar mais um pouco, quem sabe assim o estado das coisas volte a normalidade aceitável, permitindo-me continuar (Não fora isso que fiz até agora? Esperar o tempo passar? … Acreditei quando me dissera que o tempo curava tudo, falsa ilusão).

Por fim, confesso a você que agora me lê: ‘Queria apenas me desfazer de tudo que me faz visitar os corredores assombrados de minha memória. Queria me prender ao que me faz esquecer e me faz saltar para a casa seguinte. Cansei de cair na casa “retorne 2 casas” ou na “fique sem jogar”. Quero avançar, vencer e chegar ao final com um sorriso de ouro para oferecer, nem que para isso eu precise mudar o tabuleiro deste jogo. Entende?’

Abraços,

 

Sofia Aimée

 

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