Liz Norton,

pelo contrário, não era o que comumente se chama uma mulher de grande vontade, isto é, não fazia planos a médio ou longo prazo nem punha em jogo todas as suas energias para realizá‑los. Era isenta dos atributos da vontade. Quando sofria uma dor, facilmente se percebia, e quando era feliz, a felicidade que experimentava se tornava contagiosa. Era incapaz de traçar com clareza uma meta determinada e de manter uma continuidade na ação que a levasse a coroar essa meta. Nenhuma meta, por sinal, era suficientemente apetecível ou desejada para que ela se comprometesse totalmente. A expressão “alcançar um fim”, aplicada a algo pessoal, lhe parecia uma arapuca repleta de mesquinharia. A “alcançar um fim”antepunha a palavra “viver” e em raras ocasiões a palavra “felicidade”. Se avontade se relaciona a uma exigência social, como acreditava William James, e portanto é mais fácil ir à guerra do que parar de fumar, de Liz Nortonse podia dizer que era uma mulher para quem era mais fácil parar de fumar do que ir à guerra.Uma vez, na universidade, alguém lhe contou isso, e ela ficou encantada, se bem que nem por isso tenha começado a ler William James, nem antes nem depois nem nunca. Para ela a leitura estava relacionada diretamente com o prazere não diretamente com o conhecimento ou com os enigmas ou com as construçõese labirintos verbais, como acreditavam Morini, Espinoza e Pelletier.

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