Escrever I

A necessidade de escrever o consumia. A maneira que encontrou para manter sua lucidez. Um processo desorganizado em que buscava organizar suas lembranças esparsas. O seu passado que vezemquando se fazia presente.

Como a bela adormecida que acorda com o beijo de seu príncipe encantado, sua mente até então adormecida era acordada por lembranças até então esquecidas.  Lembranças com as quais ela não sabia mais conviver, queria abandoná-las, exorcizá-las. A solução encontrada: escrever. Queria abandonar essa dor lancinante. Não compreendia o por quê essa tarefa de desapego era tão difícil, justamente a ela que não tinha uma boa memória, tinha lembranças que eram tão intensas quanto foram em existência. Não deveria ser o oposto? Queria que as lembranças que entravam em sua vida, sem serem convidadas e sem avisar, sorrateiramente fossem embora. Impossível. Elas vinham livremente, mas ao chegarem Marcos agarrava-as com os dentes, impedindo a partida, procrastinando o adeus. Ações contrárias aos seus anseios.

(continua…)

Abraços,

Sofia Aimée

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