Auto retrato aos vinte anos

Eu fui embora, tomei meu caminho e nunca soube até onde poderia me levar. Fui cheio de medo, meu estômago revirou e a cabeça zumbia: acho que era o ar frio dos mortos. Não sei. Me deixei ir, pensei que era uma pena terminar tão de repente, mas por outro lado escutei aquele chamado misterioso e convincente.

Ou você o escuta ou não o escuta, e eu o escutei e quase caí no choro: um som terrível, nascido no ar e no mar. Um escudo e uma espada. Então, apesar do medo, me deixei ir, encostei minha face na face da morte.

E era impossível fechar meus olhos e não ver aquele espetáculo estranho, lento e estranho, ainda que embutido numa realidade rapidíssima: milhares de garotos como eu, imberbes ou barbados, mas todos latino-americanos, unindo suas faces com as da morte.

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