Agendas, folhas e cadernos

Marcos adquirira o hábito da escrita. Mantinha desde seus treze anos diários, que mais tardem se transformaram em agendas, que depois viraram folhas soltas de fichário (período em que uma folha por dia já não lhe bastava), que mais tarde migrou para pequenos cadernos, e por fim, chegando aos moleskines combinados com cadernos. Caneta e Papel era sua combinação preferida. Mantinha em sua estante de livros um espaço especial para eles, afinal era sua vida ali documentada, seus anseios, medos e pensamentos. Lado a lado das histórias e romances que o formaram. Tudo em palavras. Em alguns momentos da vida os retirava da estante, escolhendo um ano passado e buscando o mesmo dia e mês do presente. Surpreendia-se quase sempre. Certas coisas não mudam, ainda que as palavras não sejam as mesmas, assim como a coesão e organização formal, os sentimentos ali escritos ainda eram idênticos. Marcos não entendia como certas coisas se protegiam do tempo.

Desejava arrancar aquela angústia do seu peito, o desespero e a vontade. O sono há cinco anos atrás era a solução que ele encontrara  para tudo e ainda sim era. Da mesma forma como se sentia dominado por seus pensamentos e as lágrimas molhavam seu rosto. Na mesma época o coração estava machucado, a música lhe alegrava e as palavras o libertavam. Estava numa fuga constante da realidade mas ela sempre o encontrava. Certas coisas não mudam, repetia enquanto lia.

Enquanto Marina se fazia de forte ele se sentia culpado e estava, mais uma vez,  em carne viva.

Abraços,

Sofia Aimée

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