Viva a individualidade.


A psicanálise tenta explicar essa busca infinita na qual me encontro. Esse vazio e necessidade de preenchimento, a busca por aquilo que não se sabe nomear. As perguntas que apenas o fechar dos olhos e cessar do ar poderá calar. Essa dor pungente que não se cansa de pulsar.

Não sei lhe dizer o que sinto, não tem nome. Como já escreveu Guimarães: “muita coisa importante falta nome”. Mesmo que falte nome é importante, necessário e jogo aqui essas palavras na tentativa de te fazer entender. Estou presa a esse emaranhado de pontos de interrogação e de vazios que não deixam de ser.

Minha alma busca ser plena. Falta uma parte aqui e não consigo encontrá-la. Busco por partes que me pertenciam e as quais perdi pelo caminho, algumas me foram tomadas a força ou surrupiaram-me sorrateiramente na calada da noite.

Bauman já explicou, porém você finge não entender. O tempo é fluido, as relações amorosas também e a modernidade é líquida. E antes? Era diferente? Se as emoções humanas são universais, seriam também atemporais? Os laços humanos são hoje frágeis ou apenas agora é que se discute isso?  E o individualismo e essa falta de referenciais coletivos? Alguém ai se lembra o que significa o altruísmo? E como explicar a busca iluminista que resultou nesse hedonismo massificante? Vivemos a decadência? Por que é que caminhamos em sentido oposto ao que se espera? Sim, vivencio a redução dos laços sociais. Ainda que a internet tente me provar o contrário, com suas redes sociais e meus milhares de amigos virtuais.

Se quer saber, adoro essa fluidez dos padrões da sociedade (tenho outra escolha?). Faltam-me códigos, referenciais, algo que me oriente… Mas quer saber? Prefiro continuar desorientada ao me transformar no homem-massa. Tudo bem que em algumas situações é inevitável, todavia, ter a consciência já é alguma coisa. Então quando você se perguntar: Como é que ela não pensou em mim? Procure suas respostas em Bauman, afinal a individualidade é a marca de nossa cultura e época. Somos seres fragmentados em uma sociedade liquefeita. Sou apenas um ser tentando oferecer forma ao disforme.

Abraços,

Sofia Aimée

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