Mês: maio 2011

Pedaços pelo chão

Muito tempo se passou. Era inevitável e sabíamos que apenas com a visita dele tudo poderia seguir. Esquecer? Jamais, nossa mente possui vontade própria. Não digo que te esqueci, mas aos poucos você se tornou um estranho. Paro e te observo, fico tentando encontrar ali aquele que há muito esteve ao meu lado. Encontrar aquilo que me encantava, aquilo que me fazia sorrir e sonhar com uma vida ao teu lado. Não existe mais. Você é a mim um desconhecido. Vejo uma foto sua, confesso, sem a legenda talvez o seu rosto fosse apenas mais um. Uma vaga lembrança, agora sem aquele aperto no peito que por tanto tempo me acompanhou.

Pelo acaso, encontro-me com as suas palavras e mais uma vez elas me colocam no abismo do não ser. Entender. Parafraseando Clarice, sei que isso ultrapassa qualquer entender. Não pensei em entender, apenas em viver. Vivi. Vivemos. Talvez eu tenha apenas sonhado. Penso se você não foi apenas uma projeção dos meus desejos. Possível… afinal, para deixar de existir com tanta rapidez, apenas sendo uma ilusão.

Todos me dizem para olvidar. Eu mesma digo isso todos os dias ao colocar a cabeça em meu travesseiro. No meu coração ainda espero o dia em que você voltará a me procurar. Desejo apenas, sei disso. Quer saber? Você me retirou tanta coisa, então me deixe desejar e esperar, ainda que em vão. Hoje continuo a caminhar, porém sem me entregar. Aprendi a duvidar e deixei de amar.

Sinto falta daquilo que abandonei. Se deixei era porque não me servia mais, então por que é que as quero de volta? Seria o desejo de me sufocar e me sangrar mais uma vez? Se me perguntam como estou digo que tudo vai bem. Sim, quem quer saber se não estou? As normas da sociedade nos ensinaram, e muito bem, a responder: Sim e você? Tudo… Por mais despedaçada que eu esteja me mostrarei sempre inteira e pronta para mais uma queda. Visto minha carapaça e me protejo. A vida me ensinou. Você me ensinou. Aprendi.

Procurei uma reconciliação. Entretanto, como já é a regra, o tempo me mostrou que era tarde. Pensei que fosse amor, que precisava de você para ser feliz. Ninguém precisa do outro, sabia? Minhas lembranças tentaram me convencer de que te deixar era um erro, não foi. Chega um momento em que precisamos ir ou deixar partir. Por fim, concluo que aquela vontade de voltar era apenas saudade, um coração solitário a procura de um porto conhecido para descansar. Estava na busca de um alguém que há anos morreu.

Pareço inteira. Estou em pedaços e eles estão pelo chão. Abaixo-me juntando cada um deles e ao final os guardo apenas para mim. Afinal, quando você os teve inteiros, quebrou e os abandonou espalhados pelo chão. Com isso, algumas partes foram para sempre perdidas.

Obrigada por tudo, pois se sou o que sou, saiba que foi você quem me trans- formou.

Abracos,

Sofia Aimée

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