Dia de chuva.

Guarda-chuva, capa e suas galochas eram parte do vestuário. Não queria jamais ser pega desprevenida.  Molhar-se estava fora de cogitação.

Caminhava apressada pela cidade. A correria do cotidiano já tirara o brilho dos seus olhos, o sorriso dos seus lábios e a leveza de sua alma. Junto a ela vinha a tristeza e a desilusão, duas coisas tão presentes no mundo moderno. A alegria e  a esperança passavam apressadas, tão rápido que ela nem conseguia percebê-las. Quando parava para apreciá-las elas já estavam distantes.

Chovia. Chovia sem parar. Ficou estática por um momento na esperança de que a água cedesse. Nada.

Observa ao seu redor, está absorta em pequenas e rápidas lembranças. Sempre que olha as pessoas tenta imaginar como é a vida de cada uma delas. Um casal passa sorrindo, estão completamente molhados, a chuva parece não importar, um detalhe apenas (acha estranho já que odeia se molhar). A garota aponta algo, olha para o menino e solta uma gostosa e longa risada. Em sentido contrário seguem duas meninas, abraçadas, com passos rápidos dividem uma pequena sombrinha de poá. (Sombrinhas oferecem a falsa sensação de que se está protegido da chuva, afinal, a cabeça fica seca, mas o resto … )Embaixo de uma marquise diversas pessoas se amontoam na expectativa de que a chuva passe.  Enquanto isso a chuva fica mais forte, o trânsito fica um caos e as pessoas irritadas.

Sente um perfume característico de dias chuvosos. Recorda de sua infância. O cheiro da chuva torna-se inebriante. Como era bom ser criança, descobrir um mundo de possibilidades, arriscar sem medo do desconhecido. Sente falta do seu olhar ingênuo e de sua inocência,  saudades de quando acreditava no mundo, nas pessoas e em finais felizes.

Continua a chover e os raios de sol entram sorrateiramente  por entre as nuvens transformando aquele nebuloso dia chuvoso. Chuva e sol. Os pensamento se perdem e já se pergunta o que está fazendo ali.

De repente, tirou as galochas, deu seu guarda-chuva a um rapaz que passava com um jornal sobre a cabeça, e, correu. Correu pela chuva deixando que a água molhasse seu corpo, escorresse pela sua alma, limpando-a de tudo aquilo que a prendia. Sorria. Estava livre. Gira, salta, deita na tentativa de sentir ainda mais aquele cheiro de chuva, sente o chão. Levanta-se e continua seu caminho para casa, após mais um dia (in)comum.

*Chuva. Permita-se, deixe que a água molhe seu corpo. Não tenha medo, você pode se surpreender.

 

Abraços,

 

Sofia Aimée

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2 comentários em “Dia de chuva.

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