não existem palavras para todas as coisas

Era uma vez um menino que amava uma menina, e a risada dela era uma pergunta que ele desejava passar a vida a responder. Quando tinham dez anos, ele a pediu em casamento. Quando tinham onze, ele a beijou pela primeira vez. Quando tinham treze, eles brigaram e não se falaram por três semanas. Quando tinham quinze, ela mostrou a ele a cicatriz no seio esquerdo. O amor deles era um segredo que não contavam para ninguém. Ele prometeu a ela que jamais amaria outra menina enquanto vivesse. E se eu morrer?, ela perguntou. Nem assim, ele disse. No aniversário de dezesseis anos, ele deu a ela um dicionário de inglês, e juntos eles aprenderam as palavras. O que é isso?, ele perguntou, passando o dedo indicador no tornozelo dela, e ela procurou. E isso?, ele perguntou, beijando o cotovelo dela. Cotovelo! Que palavra é essa?, e depois ele o lambeu, e a fez rir. E o que acha disso?, ele perguntou, tocando a pele macia atrás da orelha dela. Não sei, ela disse, e apagou a lanterna e rolou, com um suspiro, sobre as costas. Quando tinham dezessete, fizeram amor pela primeira vez, numa cama de palha num galpão. Mais tarde – quando aconteceram coisas que eles nunca poderiam ter imaginado – ela lhe escreveu uma carta que dizia: Quando você vai aprender que não existem palavras para todas as coisas?

[Krauss, N]

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