uma carta sobre a mesa

Uma carta sobre a  mesa. O envelope já não estava em perfeitas condições, um pouco rasgado e manchado. Largou tudo sobre a cadeira e começou a abrir o envelope, sim estava endereçado à ele.  Algumas partes já não permitiam a leitura, desgaste do tempo. Mesmo assim, ele tentou. “Eu estava tão tranquila quando você apareceu. Não queria um novo relacionamento, acabara de sair de um (tanto quanto complicado, eu confesso.) Mas, você veio falando coisas tão profundas, sorriu,acreditei, esperei, beijou-me. Foi assim que tudo começou.” Procurou encontrar o nome de quem escrevera mesmo antes de terminar de ler, tudo borrado, era impossível. Continuou a ler o que conseguia. “Não, eu não quis nunca saber sobre seu passado. Foi você quem me contou. Tomei isso como questão de confiança, bobagem. Deve falar de todas para todas e da mesma forma como fez com ela deve agora fazer comigo, dizendo como eu era irritante ao acariciar os seus cabelos (na época você gostava, ou dizia que). Como minhas despedidas terminavam sempre com “beijos em você” e o quanto você achava isso brega. O quanto eu adorava falar e falar e isso era insuportável (você dizia adorar me ouvir mas, agora sei que era mentira, como tudo que você me fez viver. Como tudo aquilo escreveu e declarou, e eu, por ser idiota, ainda guardo (um dia, quem sabe, tudo vire lixo.)” Ficou confuso, por mais que revirasse suas lembranças não conseguira identificar de quem era, a ausência da letra manuscrita não o permitia identificar sua remetente. “Estou indo embora, certamente isso já não te interessa, mas, se desejar despedir-se ou ainda me dar o direito a uma última conversa, encontre-me na Rua das Ilusões, n. 120, dia 5 às19h.” Sim, aqueles números eram sugestivos, mas ele não tinha sensibilidade pare relacionar eles a ela. Então, quem o escrevera? Afinal, eram tantas às quais ele um dia jurou um amor e depois abandonou. Olhou novamente a folha de papel que segurava nas mãos. Ah, sim! Aquele uso de parênteses. Era dela! Era Marina, ela  foi embora, nunca mais voltaria a vê-la. Devolveu a carta ao envelope, observou um bilhete sobre a mesa: “Dr. Marcos, encontrei esta carta no seu jardim (…)” Em silêncio, chorou! Não pela carta, mas pela impossibilidade de tê-la mais uma vez. Babaca!

 

Abraços,

 

Sofia Aimée

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