Paulo Leminski

Fui assistir “Vida”. Sem palavras.

Uma peça para se pensar, refletir e se apaixonar.

O fato de milhares de pessoas sairem reclamando “Nossa mas isso não é Leminski”, fez me pensar que na verdade elas ainda não entenderam Leminski, ainda que tenham lido toda sua obra (será?), não conseguiram transpor nada, continuam no estágio de primeiridade com a obra. Triste! (ou nem tanto!)

Assim, um texto dele:

 

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.

Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular como um paradigma da primeira conjugação.

Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial, ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito assindético de nos torturar com um aposto.

Casou com uma regência.

Foi infeliz.

Era possessivo como um pronome.

E ela era bitransitiva.

Tentou ir para os EUA.

Não deu.

Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.

A interjeição do bigode declinava partículas expletivas, conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.

Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

[In: Geraldi, João W.  (org.). O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 1999]

 

Abraços

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