Lembranças de um abandono

Era mais um dia. Marcos buscava não pensar nela, Marina. Estava decidido a não mais sofrer, e se assim fosse, não por amor. Desejava que ela sumisse, mas então percebia que isso ela já havia feito, e era essa a sua perturbação.
As lembranças de Marina eram diárias, mais difíceis ao amanhecer e intermináveis ao cair da noite. Por mais que desejasse não pensar,  amar era lembrar.
Mais uma vez desejava voltar ao momento em que ele era sozinho, sem Marina. Quando ele  ainda não havia se viciado. Tinha a certeza de que ela era uma droga, o viciou e depois, não sabendo bem o porquê, o abandonou. Provavelmente ele já não conseguia pagar o seu valor, mas qual era?
Marcos não entendia como se permitiu chegar a tal estágio de dependência. Ao perceber que estava se viciando nela  procurou  reduzir a droga. Entretanto sua presença se fazia cada vez mais necessária. Mesmo assim, procurava não fazer o uso diário, tinha medo de se entregar. Gostava de sentir a abstinência, era como provar a si que não precisava dela, que tinha controle. Apenas quando não a teve mais  suas doses diárias de Marina que percebeu que se tornara um viciado de fato.

Agora vivia em estado de abstinência e sem nenhuma perspectiva de saída.  Procurou fazer o uso de  drogas alternativas, mas não adiantou. Por mais que Claudia, Ana ou Julia lhe oferecessem algum prazer, ele precisava de Marina, seu vicio era ela. Na falta de sua droga procurou a reabilitação, sem muito sucesso decidiu buscar em si a saída.
A cada manhã prometia  que iria vencer –  um dia de cada vez, uma semana, mês e ano. E assim foi.  Sim, teve momentos em que pensou que iria enlouquecer, mas não desistiu. Procurou em si a autoestima abandonada, o amor largado e a fé esquecida.
Se para Marina havia sido tão fácil deixá-lo, ele também poderia esquecê-la, ou se assim não pudesse, desejava ao menos lembrar menos daquela que um dia o viciou e não querendo mais abandonou. Esquecia-se apenas de que tudo em Marina era mentira e suas promessas ilusões que resultaram em decepção.
Dois anos se passaram. Não Marcos não esqueceu Marina, nem poderia. Ainda se lembra dela, de suas falsas palavras, e de tudo que um dia ela representou.  Porém hoje aquele vazio que ele sentia pela ausência de Marina estava completo. Era o vazio preenchido e nesse momento qualquer explicação que ela lhe oferecesse seria em vão. Sim, ele gostaria de saber quais eram seus motivos, afinal será que ela fora tomada por uma loucura ou seria apenas a efemeridade que se revelava? Queria entender o que faz alguém ir sem se despedir, saber se ela ainda pensa nele, se um dia suas palavras tiveram alguma razão de ser. Porém, ela não ligou, não escreveu, nada. Tudo aquilo que ele guardou para esse momento não aconteceu,  e ele já não espera nem deseja uma resposta.
Marcos! Por que é que ainda acreditas naquilo que te dizem? Como pode acreditar naquela que um dia disse te amar e que quando você a amou não o respeitou? Será que Marina simplesmente vacilou ou de você não mais  se lembrou?

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