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Ela tinha duas escolhas. Não havia a possibilidade de um meio termo, assim, escolheu. Sua escolha não representava seu querer. Porém, sabia que a necessidade é, sempre, oposta ao desejo.

Ainda que  fosse contraditório, o desejo era sua fase terminal. Marina não buscava isso, simplesmente era. Suas ações eram o resultado de um processo de saturação, não longo, mas sólido. Estava cansada, já não suportava Marcos. Era o que imaginava.

O rompimento, ainda que brutal, era inevitável. Naquela noite ela decidiu consumar sua decisão. Tratava-se de uma relação na qual nem ela mesma, até o momento de conduta não condenável, o fizera prever, mas o fato é que por não se permitir decifrar ela o surpreendeu. A noticia era inesperada, e, por falta de coragem, ou sabe lá o que, ela não a enviou, fazendo com que ele, em estado de loucura, fosse em busca daquilo que seria uma verdadeira bomba em meio a tranquilidade aparente que desfrutava.

Marcos passa os dias seguintes desnorteado, cabisbaixo, não come, não estuda, nem aos treinos vai. Chora. Chora. Tenta entender.

Após algumas semanas sem nada saber daquele que um dia pensou amar, ou pior, fez com que ele acreditasse que o amava. Marina o vê. Uma casualidade. Ele está bem, aparentemente feliz. Não existe mais nele vestígios do calvário de algumas semanas atrás. Saiu do coma amoro como quem escapa da morte desejando viver. Ela o olha, buscando algum resquicio daquela tristeza que o abatia e que ela era a causa. Olham-se. São mundos paralelos em equilibrio inverso: ele está restaurado e orgulhoso pela forma como deu continuidade a sua vida; ela, afundada em sua mente, confusa e perdida no labirinto que criou, arrependida, chora pelo rompimento que antes pensava desejar e ser necessário.

 

 

Abraços,

Sofia Aimée

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2 comentários em “

  1. Olá Sofia,

    Passseando por alguns blogs descobri esse espaço, que de ilusões perdidas não tem nada, pelo contrário. Lindissimas suas palavras, engraçado mas me identifiquei profundamente com a história aqui contada. Fiquei apenas me perguntando se você seria a Marina, que hoje chora como eu.

    Parabéns,

    Até logo!Viviane

  2. Coisinha linda!!!!!!!!!!!!
    Saudades infinitas de vc…… esperando sua volta!!

    bjosssssssssssssssssssssssssssssssssss

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