Mês: novembro 2009

Uma noite qualquer

Será que podem me chamar de bêbada? Afinal, apenas bebi um pouco além daquilo considerado normal. O que é normal? Se até  você e suas atitudes ridículas são considerados normais? Assim, não discutirei aqui o que é o normal. Já não sei o que essa sociedade ridícula na qual me encontro e sou ser constituinte sabe para determinar aquilo que é normal.

Enfim, bebi. Idiota fui e tenho consciência disso, diferente de você que está ai lendo tudo isso e nem mesmo sabe quem é, muito menos porque é que ainda vive . Podia morrer e deixar de ser uma pedra na vida de muita gente, principalmente na minha. Sim queridinho, você é um obstáculo inútil. Pois, temos dois tipos de obstáculos, aqueles que ao superarmos nos fazem aprender, pensar, geram mudança; e, outro, como você, que serve apenas para atrapalhar, atrasando o desenvolvimento daqueles que têm a infelicidade de te encontrar pelo caminho, triste não?

Claro, neste momento você deve estar achando este texto muito confuso, sem lógica e nem propósito: foda-se. Escrevo apenas para não enlouquecer, e não para me  fazer compreender.

 Bebi. Bebi e bebi. Cheguei em casa as 6horas da manhã, nem sei bem como, mas foi bom acordar as 10horas da noite  e ver que de alguma forma, meio que por mágica, estava na minha cama, nua, dormindo e me recompondo do efeito de alcool da noite passada . Sei que nesse momento você deve estar se dizendo: “ ela não bebe”, bebi, e, este tem sido um ato quase que diário, ou melhor, noturno, que tem me ajudado a continuar viva.  Não, não pense que isso é algo ruim, porque não é.

Sim, tudo aqui podem ser apenas palavras, metáforas, ou qualquer coisa sem sentido, ou não. Voltando. Bebi e só sei disso porque ela me ligou, ela sempre liga, perguntando se eu estava bem. Linda não? Sempre me salvando, mesmo quando eu não mereço o mínimo ela faz o máximo.

Sim, respondi que estava bem, afinal, estou em casa, deitada na minha cama, pior é que não estaria. Foi nesse momento em que me contou da bebedeira de ontem, da ida ao hospital e do susto que mais uma vez eu dava nela, que pensou que iria me perder, dado o desespero dos médicos. Esquece-se de que esse pessoal de hospital adora fazer desespero, só para nos assustar e evitar que no fim de semana seguinte esteja eu mais uma vez em coma alcoólico, com paradas respiratórias, e sabe se lá mais o que.

É, minha vida está toda errada. E a sua? Tudo certinho ai? Parece me que sim, mas sei que há algo certo nisso, apenas ainda não o encontrei.  Continuo em casa, mamãe preocupada cuidando de mim, Laura vem me ver mais tarde. Ficarei alguns dias por aqui. Não, não irei a São Paulo. Não vou a Belo Horizonte e desisti de fugir para o Canadá. Ficarei por aqui, enfrentando as conseqüências da brincadeira de ontem. Rs. Talvez na semana que vem eu repita tudo, mas não sei. Irei ficar porque por mais que eu tente, descobri que não sei fugir, diferente de você. Ficarei aqui, enfrentarei tudo, tenho a Laura, e ela me basta. Não irei a lugar nenhum, não abandonarei nada, porque além de não saber, eu não quero.

 

Desculpe pela forma confusa como escrevi, se por ventura alguma coisa você não entendeu, só queria lhe dizer:

Boa noite, e sim, ontem eu bebi e hoje ao dormir acordarei na certeza de que te esqueci!

 

Abraços,

Sofia Aimée