larguei de mão todos os amores,
pra me amar mais que à qualquer um,
desejei que estes tivessem sabores,
até que, de tanto consumir, não sobrasse nenhum.

fechei todas as portas e janelas,
e não permiti que mais ninguém entrasse,
pois eu me amo mais que à elas,
e nunca esperei que isso mudasse

até que um dia aconteceu,
e eu me vi apaixonado,
não sei o que me deu,
mas tudo estava mudado.

 me vi perdido e arastado,
não sabia mais como me amar,
até que nada tivesse sobrado,
com elas tive que me contentar.

 mas então quando tudo acabou,
é que fui me reconstruir,
esqueci de todas que meu coração amou,
e um amor por mim fui nutrir.

me amei no banho e na cama,
no espelho, de noite e de dia,
como ninguém jamais me ama,
me amei santo e em ousadia.

desde então ninguém mais entrou,
evitei que qualquer sentimento acontecesse,
meu coração para o mundo se fechou,
e, enfim, evitei que meu coração denovo se abatesse

uns até me perguntaram se eu não sinto dor,
se não sofro por estar sozinho,
se não sofro por não ter um grande amor,
se não quero, um dia, construir meu ninho.

mas eu nunca entendi essa necessidade,
de ter alguém eternamente o lado,
se dentre tantos nessa cidade,
qualquer um que passe é passado.

talvez, um dia, eu me renda ao amor outra vez,
e me deixe levar pelas ondas e o mar,
talvez, um dia, eu deixei de ser solitário de vez,
e aí eu amarei, mas sem deixar de me amar.

(Diogo Moraes)

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